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A princesa e a ervilha

Se bem que, nesse caso, seria o príncipe. Vem comigo entender essa história.

Passei por uma situação peculiar em uma noite dessas.

Meu filho estava com sono, mas também com fome, então eu deixei que comesse umas torradas na cama mesmo, para não perder o embalo do sono e ter que começar o processo todo de novo (sim, eu sou dessas, me julguem).

Ele comeu até ficar satisfeito e eu dei início ao processo de limpar as migalhas da cama, pois sei que isso o incomoda.

Mas parece que eu subestimei a capacidade de percepção dele.

Quem convive com autistas sabe as dificuldades que eles enfrentam com as alterações sensoriais, e as que estão relacionadas ao toque da pele são bem sérias para o meu filho.

Eu percebi que, mesmo com muito sono, ele não estava encontrando posição para dormir e, por isso, tentava se manter acordado a todo custo, chegando a começar a demonstrar bastante irritação e desregulando por causa do cansaço.

Demorei um pouco, mas, por fim, entendi o que estava acontecendo – como ele é não verbal não é sempre que consegue me comunicar o que está incomodando -, a cama ainda apresentava pequenas sobras de farelo de torrada.

Eu tentei limpar o máximo que pude, eu juro! Passei pano, esfreguei as mãos, tentei provar para ele que não tinha mais cada. Só que cada vez que ele encostava a cabeça para dormir o choro recomeçava.

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Ele passava a mãozinha tentando me mostrar que sim, ainda tinha algo que o incomodava ali.

No fim, a solução que encontrei foi simplesmente retirar o lençol e deixar que ele dormisse diretamente no colchão. Deu certo! Ele colocou as mãos e não sentiu mais o incômodo, deitou e dormiu como se nada tivesse acontecido.

Na hora me veio à cabeça a fábula “A Princesa e a Ervilha”.

Para quem não conhece a história, é aquela em que uma família real quer testar uma princesa recém chegada ao castelo para ter certeza de sua origem nobre. A rainha coloca uma pequena ervilha embaixo de vários colchões, pois, segundo a fábula, somente uma verdadeira princesa seria delicada o bastante para sentir o desconforto causado pelo pequeno legume.

Tá, tirando a parte bizarra cheia de misoginia e preconceito dessa história, eu queria na verdade exemplificar o quanto existem questões que podem ser sensíveis a um autista.

Em um primeiro momento eu pensei: nossa, que frescura, não dá para sentir nada! Mas imediatamente me corrigi. EU não sentir nada não significa que ELE não consiga sentir. E se para ele aquilo fosse como a ervilha para a princesa?

Uma alteração sensorial é algo que precisa ser levado a sério. Uma etiqueta de uma roupa ou um tecido com uma textura nova podem parecer espinhos na pele deles, e eu não estou exagerando.

Imagino que, naquele momento, aqueles quase imperceptíveis farelos da torrada deviam estar raspando a pele dele como se fossem cimento.

Me senti culpada por não ter percebido antes? É claro!

Muito mesmo! Tanto que demorei um tempão para relaxar e conseguir dormir também.

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No entanto, eu confesso que tenho aprendido muita coisa.

Infelizmente ninguém nos entrega um manual de como cuidar dos nossos filhos quando viramos mães. Quando somos mães atípicas é ainda pior, pois nem as experiências vividas por outras mães podem nos ajudar.

Todo dia é um aprendizado novo!

Todo dia construímos um novo capítulo da nossa própria fábula.

Pois é, mundo, eu tenho um príncipe sensível que consegue sentir a ervilha mesmo embaixo de vários colchões.

Vocês que lutem! 🙂

Fiquem bem!

Mil beijos.

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Escrito por

Mãe atípica e editora chefe do blog.

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