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Atypical me fez pensar no futuro

A vida imita a arte ou a arte imita a vida? Atypical me colocou para pensar em muitas coisas.

Começamos a assistir à série Atypical (está disponível na Netflix e eu recomendo fortemente) e, embora eu tenha amado o protagonista e a forma como o roteiro tem nos apresentado às dificuldades vividas pelos autistas em uma das fases mais conturbadas da vida, a adolescência, tenho prestado muita atenção também na interação dessa família. 

A sobrecarga da mãe, a falta de habilidade do pai e o sentimento de abandono da irmã. 

É impressionante como apenas um diagnostico pode mexer, de fato, com toda a vida de todos que estão ao redor dessa pessoa dentro do espectro.  

É impossível pensar nisso e não trazer para o dia a dia em casa.

Nossa rotina após o diagnóstico de autismo do Luigi  

Desde que meu filho foi diagnosticado com autismo muitas coisas precisaram começar a mudar em nossa rotina. Na verdade, na rotina de toda a família. Os mais velhos (meus pais e minha avó) tiveram que aprender tudo que pudessem sobre uma alteração tão complexa do cérebro e descobrir como lidar com isso. E, nós, pais, tivemos que encontrar força e coragem em um nível que nunca pensamos ter. 

Isso mexeu com o nosso lado financeiro, que ficou muito mais apertado (plano de saúde, transporte para as terapias, advogado para tentar manter a nossa liminar ativa), mexeu com o nosso emocional (aprender a colocar as terapias em prática em casa, ter paciência com as crises nervosas, debates, aulas, muita leitura sobre o assunto) e mexeu com a nossa rotina (acompanhamento das terapias, treinos em casa, atenção redobrada para que não se machuque). 

E esses são apenas alguns dos detalhes que podem ser mencionados aqui.  Inclusive, é provado que pais de autistas tem muito mais chances de desenvolverem depressão ou outras doenças relacionadas à saúde mental por conta de toda pressão do dia a dia. 

A verdade é que a vida se torna uma montanha russa de emoções que vão do ponto mais alto das conquistas ao mais baixo dos desesperos. 

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Eu penso muito em tudo aquilo que meu filho tem aprendido e me apego à esperança de que ele continuará aprendendo sempre mais e mais. E eu sei que terei toda a paciência do mundo para aguardar o seu aprendizado, pois tive que desenvolver essa capacidade. 

Mas e o mundo? 

Será que seus pares também terão essa paciência? 

Lembro da minha adolescência e do quanto era sofrido ser a excluída. Sendo a garota gorda e cdf, eu dificilmente era convidada pelos colegas para ir a festinhas ou reuniões. Normalmente ficava isolada e só era lembrada quando os populares precisam de ajuda com suas notas mais baixas.  

Parece clichê, mas isso foi real, eu vivi na pele. 

Mesmo não tendo nenhum comportamento social diferente, o simples fato de não ser uma das beldades da escola me colocava fora das rodas de conversa ou das convivências com aqueles que deveriam ser meus pares. O resultado disso é que eu sempre preferia ficar perto dos professores, que pareciam muito mais interessados no meu intelecto do que no tamanho de calça que eu vestia. 

E isso se reflete até hoje. Eu, em uma sala de aula, ainda prefiro um bom papo com os professores. 

Pensando em tudo isso eu tenho medo do futuro. 

Sei o quanto adolescentes podem ser cruéis (e eu não estou colocando a culpa apenas neles, nossa sociedade exerce muita pressão para tudo aquilo que DEVEMOS ser e esquece de contar para eles que podem ser o que QUISEREM ser). 

Eu sei que ainda temos muito o que caminhar até lá e que, no fim das contas, pode ser que as minhas preocupações nem tenham que ser assim tão perturbadoras. Mas é inevitável pensar no futuro. 

No fundo, no fundo, a gente sempre tem um desejo de que nossos filhos sejam gênios, que descubram algo revolucionário, que tenham vindo ao mundo para brilhar de alguma forma.  

Qualquer outra ideia que fuja disso, já nos assusta muito, afinal, brincamos com a ideia de mantê-los embaixo de nossas asas para sempre, mas queremos mesmo é que sejam independentes e realizados. Imaginamos eles fortes, guerreiros, sabendo se impor, lutando por seus direitos … 

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Se bem que, pensando agora nessas palavras que acabei de escrever, com diagnóstico ou sem, eu já vejo meu filho assim. 

No auge de seus quase três anos de idade, ele já se impõe quando quer ou não quer alguma coisa, já consegue discutir por aquilo que gosta ou não (mesmo sem usar uma única palavra) e é forte…Deus, como meu filho é forte. 

E eu nem estou falando sobre o poder que as pernas e braços dele tem quando está muito bravo (sim, o chute dele derruba um adulto facilmente), mas nesse momento estou falando sobre um outro tipo de força. 

Ele é guerreiro e forte na luta para aprender! 

Luigi construindo seu mundo!

Eu vejo o quanto meu filho se esforça para adquirir novos conhecimentos, o quanto ele se esforça para fazer seu corpo obedecer a seus comandos, o quanto ele se esforça para se comunicar conosco de maneira brilhante cada dia mais. 

Como eu posso desmerecer isso? Jamais! 

Mesmo sem nenhuma medalha ou sem ter descoberto nenhum avanço científico, meu filho é um campeão todos os dias. Ele encara as terapias sem reclamar, ele respeita tudo de novo que é apresentado e, mesmo que seja muito cansativo, ele tenta sempre mais de uma vez para chegar ao objetivo. 

Céus, ele é muito mais determinado do que eu jamais fui a minha vida inteira. 

É, talvez eu não deva me preocupar tanto no fim das contas. 

É claro que existiram muitas coisas que o farão sofrer, a vida vai apresentar muitos desafios e muitas lágrimas ainda caíram daqueles lindos olhos castanhos. E eu pretendo estar sempre por perto para dar um abraço de apoio. 

Mas, sabe, para quem já enfrenta tantos desafios desde tão pequeno…. acho que a adolescência pode ser tirada de letra também. 

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Fiquem bem! 

Beijos 

Escrito por

Mãe atípica e editora chefe do blog.

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