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Ele é autista! Agora sou mãe atípica

Medo, culpa, frustração, insegurança, luto e desesperança, são sentimentos vivenciados por mães por muito tempo, diria que por toda a vida, após receberem o diagnóstico de autismo de um filho.

Medo, culpa, frustração, insegurança, luto e desesperança, são sentimentos vivenciados por mães por muito tempo, diria que por toda a vida, após receberem o diagnóstico de autismo de um filho.

Medo: é sentimento de insegurança em relação a uma pessoa, situação ou objeto. O autismo traz o medo do desconhecido, a maioria das mães não sabem nada sobre o diagnóstico quando ele é recebido, o que causa medo da rejeição social, familiar e do companheiro. Medo de não saber lidar com os desafios do cuidado, medo de não conseguir suprir as necessidades básicas da sua criança.

Culpa: significa se sentir responsável por algo. Na nossa sociedade é comum direcionar o cuidado dos filhos a mãe, tornando comum responsabilizá-la pela educação dos filhos. E quem não conhece o autismo pode entender alguns comportamentos como falta de educação. Às vezes culpá-la por identificar no filho sinais de alterações do desenvolvimento quando ele ainda é pequeno, e questioná-la por procurar “doença”. Isso faz com que ela se sinta culpada por enxergar comportamentos diferentes em seu filho com relação a outras
crianças. A mulher por gerar a vida, pode trazer para si a responsabilidade de alterações que possam ocorrer no seu filho, mesmo sabendo que não é a responsável.

Frustração: quando algo esperado dá errado. Saber que o filho idealizado durante a gestação não faz mais parte da sua realidade e você terá que se adaptar. A frustração de abrir mão da sua vida profissional para se dedicar ao cuidado da sua criança.

Luto: tristeza pela morte, desgosto e amargura. O luto é comum no pós-diagnóstico. É a morte do que construímos ao longo de uma gestação, pois sonhamos com um filho “perfeito”. Afinal, os exames do pré-natal não identificam o autismo.

Desesperança: perca da esperança, descrença. O diagnóstico de um transtorno complexo como o autismo, muda a esperança de vida e a falta de acompanhamento terapêutico adequado aumenta a descrença da evolução do autismo.

Você agora é mãe de uma criança autista: uma criança que muitas vezes não fala ou tem uma compreensão reduzida, uma criança que pode ficar repetindo várias vezes palavras sem sentido, que não sabe conversar, que pode não conseguir relatar o seu dia na escola, que talvez não consiga entender aquela expressão de raiva de alguém, ou a maldade das pessoas, aquela criança que pode não gostar de festas, reuniões de amigos, de interagir com outras crianças e pessoas, ela vai preferir ficar em casa ao invés de ir ao shopping, uma criança com um jeito peculiar de bater as mãos, sacudir os braços, balançar o corpo ou pular, e ela fará esses movimentos em todos os lugares, pode apresentar necessidade de manter a rotina e você precisará se adequar, pode ser lenta ou de difícil regulação emocional, e você ficará em pânico quando isso acontecer, pode apresentar alterações motoras, ter dificuldade de pegar no lápis, pode apresentar seletividade alimentar e querer apenas um tipo de alimento, pode ter aversão ao seu abraço, pode ter uma inteligência acima da média e não saber abotoar os próprios botões da calça. Mas continuará a ser seu filho, e precisará de toda sua força, determinação e amor.

Ser mãe atípica é vivenciar o desconhecido todos os dias, é saber que nunca sabemos o suficiente de nada, é saber que aprendemos a cada erro, que você pode mudar sua vida, mas nunca sua essência, é construir novas amizades com pessoas que vivenciam o autismo como você, amigos que estarão dispostos a estender-lhe a mão quando você precisar de apoio, quando se sentir sozinha, pois muitos vão te abandonar, afinal nem todos estão dispostos a conviver com a diversidade humana.

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Ser mãe atípica é descobrir que o simples é importante e que a diferença faz parte da vida. Que se você não fizer nada, nada vai mudar. Ser mãe atípica é enfrentar o desconhecido com conhecimento, enfrentar seus sentimentos e se levantar para guerra sabendo que a vitória é o desenvolvimento do seu filho e o seu desenvolvimento humano, pois o crescimento se dá com a superação de desafios, e o autismo é o maior desafio de uma mãe, porque ele não tem cara, e ainda te condena por parecer falta de educação.

Cleide Oliveira
Enfermeira, Pesquisadora do TEA e mãe atípica.

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