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Quando a solidão se torna sólida

A solidão é um sentimento real que acompanha quase todas as famílias atípicas.

Assim que recebi o diagnóstico do meu filho, essa foi uma das primeiras coisas sobre o que me alertaram: a solidão viria junto daquele documento.

É claro que eu acreditei. Até mesmo já imaginava. Sei que o ser humano tem um hábito quase que automático de isolar tudo aquilo que não se identifica com o que eles entendem como maioria.

Eu até me preparei para isso – ou pelo menos achei que tinha me preparado.

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Mas, vivendo a realidade em sua rotina por vezes pesada, confesso que não havia nada que pudesse me preparar de fato para esse sentimento.

Nunca havia sentido algo nem mesmo parecido com isso. A solidão que sinto hoje é quase palpável, é dolorida e muito profunda. E por que será que agora ela é tão forte assim? Já senti solidão antes, mas essa é diferente.

A resposta é bem simples meus amigos. O que acontece é que agora ela vem de pessoas que eu nunca imaginei, é transmitida por pessoas com quem eu contava, que eu imaginei que acabariam entendendo.

É, elas não entenderam. A maioria na verdade nem tentou.

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Talvez eu diria que por ter se fundido com a frustração pode ser que essa solidão tenha desenvolvido mais poder.

Pode ser que eu tenha me tornado uma chata, eu sei. Não retiro a minha parcela de culpa nessa situação. O autismo se tornou um assunto muito recorrente em minhas falas. Mas o que eu posso fazer?

Eu vivo isso durante o meu dia inteiro, a minha semana inteira e será para a minha vida inteira. Se faz parte da minha vida com tanta força, e não posso simplesmente ignorar – como os demais conseguem, já que não os atinge diretamente.

E se envolve o maior amor da minha vida diretamente, eu realmente resolvi me entregar de cabeça estudando, conhecendo, aprendendo e me apaixonando pelo tema. Sim, me apaixonando mesmo, pois quanto mais eu entendo menos medo sinto e mais maravilhada fico com o quanto essas crianças são capazes de aprender.

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O autismo já não me parece um monstro tão gigante como antes. Ele já não consegue mais me assustar e nem me faz ficar acordada no meio da madrugada apavorada. Mas sabe o que ainda me assusta?

A exclusão!

Famílias atípicas acabam precisando se juntar em bandos, em grupos, para terem onde se apoiar, tentando reduzir o peso da solidão que fica sobre seus ombros.

Amigos, familiares, pessoas em que mais confiávamos se tornam apenas estranhos. Fica claro que não querem mais fazer parte dos nossos problemas.

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Todo aquele blá blá blá de “conta comigo” que você escutou na gravidez descem pelo ralo assim que seu filho se mostra diferente.

São poucos os que ficam!

Eu sei, é desesperador pensar nisso né? Mas também são muitos os que você conhece. Outras pessoas que estão entregues às mesmas dores, aos mesmos sentimentos ou cuja empatia se sobrepõe ao fato de não viverem as mesmas coisas.

Meu mundo mudou completamente por causa do meu filho. Hoje meu ciclo de amizades é formado por outras famílias atípicas, terapeutas e profissionais relacionadas ao atendimento dessas crianças. Nunca nem sonhei com isso.

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Tive que reaprender muita coisa. A solidão sólida dói para caramba ainda, não vou negar. E vai doer por mais um bom tempo. E eu sei que meu filho também vai se dar conta, mais cedo ou mais tarde, desse sentimento de exclusão.

Então, não me resta outra alternativa a não ser aprender a lidar com essa sensação para provar que, mesmo que muita gente nos vire as costas e não queira mais viver com a nossa realidade, sempre haverá aqueles que seguram a nossa mão e nos ajudam a seguir em frente.

O mínimo que podemos fazer é segurar de volta a mão de outros que precisam e manter firme essa corrente humana do bem!

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Escrito por

Mãe atípica e editora chefe do blog.

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