Siga-nos

Olá, o que você está buscando?

Mamãe TEAjuda

Relatos

Transtorno do processamento auditivo

Igor teve um diagnóstico tardio para o autismo e conta um pouco da sua experiência com seu processo auditivo.

Igor Amirú é um artista autista com diagnóstico tardio que encontrou, dentro da arte dos quadrinhos, uma forma de explicar o transtorno do processamento auditivo da perspectiva de uma pessoa dentro do TEA.

Esse é o depoimento dele. Acompanhe:

”Desculpa, é que eu sou meio surdo”.

Acho que praticamente todas as pessoas que me conheceram pessoalmente devem ter me ouvido repetir isso. Mesmo com meus ouvidos funcionando perfeitamente, o meu cérebro não processa os sons do mesmo jeito que você. Eu tenho dificuldade com o timbre de voz humana. Quando tem mais de uma pessoa falando – ou quando tem mais barulhos no ambiente – as sílabas se misturam e eu ouço pedaços. Tenho que me concentrar muito para conseguir entender.

Em alguns momentos não consigo nem diferenciar de quem é a voz que estou escutando e, quando estou cansado, se concentrar não é muito fácil.

Fora isso tem a sensibilidade sensorial do autismo. Alguns sons me desgastam muito, e outros são insuportáveis mesmo, tipo cachorros latindo agudo, maquitas, barulhos específicos, coisas que para maioria das pessoas é chato e pode dar uma dor de cabeça, eu fico incapacitado, enjoado, tonto, não consigo pensar, é difícil de falar ou fazer qualquer coisa básica. E eu fico mal por um bom tempo, inclusive com enxaquecas.

Engraçado que eu só fui descobrir a causa dessas dificuldades recentemente, depois de começar a descobrir sobre o autismo. De repente tanta coisa inexplicada começou a fazer sentido, me pergunto como seria se eu tivesse descoberto sobre isso antes.

Agora, como eu sei que isso acontece comigo, eu tento fazer coisas para ajudar, como usar abafadores, pedir para as pessoas repetirem o que falaram sem culpa e me dar o direito de sair de perto de lugares barulhentos.

Antes eu apenas me obrigava a ficar nos ambientes e fingia que estava tudo bem, e passava mal sozinho depois.

Continua após o anúncio.

Eu não frequento nenhuma instituição de ensino no momento, mas essa é outra coisa que mudaria (agora que sei do autismo): a compreensão dos professores. Eu já levei muita bronca por querer usar fone de ouvido em sala (a música me ajudava a ignorar os barulhos), entre outras broncas por outros motivos que podiam ser evitadas.

E eu provavelmente usaria os abafadores também, mas seria muito legal que os professores fossem mais inclusivos com pessoas diferentes sem que isso tenha que ser exigido. O ensino médio foi uma das piores épocas da minha vida em relação a minha saúde física e mental.

Crédito Instagram: @igs.amiru

Por isso é tão importante que a informação seja abrangente. Assim, evitamos que outras crianças passem pelos mesmos transtornos que o Igor enfrentou em sua caminhada. Não temos como saber tudo que eles estão sentindo, mas podemos tornar o mundo um lugar menos doloroso para eles.

Você pode acompanhar as artes do Igor através das redes sociais: Instagram e Facebook.

Para quem pode colaborar com o crescimento desse artista, também está disponível uma página no APOIA.se.  Acesse o link!

Escrito por

Clique para comentar

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você vai gostar

Fale comigo!

Você também se sente assim? Ver ler esse texto e veja se concorda comigo!

Especialistas

A comunicação alternativa pode ser uma excelente aliada no aprendizado das crianças. Saiba mais!

Projeto Dino

O que fazer após o diagnóstico. A Keila tem algumas dicas!