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Um olhar de gratidão

E se o seu filho se perder? Ele pode ser facilmente identificado?

Durante esse tempo de tratamento do meu filho conheci muita gente (e ainda pretendo conhecer muito mais, pois amo essa troca).  

Tive a oportunidade de escutar muitas histórias e aprender sobre várias realidades diferentes. Todas elas sempre me ensinam algo novo ou me dão a chance de ver as coisas de outro ponto de vista. 

No entanto, tem uma delas que eu quero muito compartilhar com vocês, pois mostra a necessidade que temos de manter os nossos filhos devidamente identificados. 

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Eu conheço pessoalmente o responsável pelo texto e ele me autorizou a publicação. 

Espero que vocês também gostem! 

Beijos a todos! 

Um olhar de gratidão 

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Poucas vezes na vida profissional me sensibilizei, profundamente, com uma ocorrência como a que passo a narrar. 

Assumo o plantão às 20h00 de um sábado e sou informado, por agentes de segurança do metrô que um menino de 10 anos de idade, aproximadamente, aparentando ser portador de autismo pelas questões sensoriais apresentadas, sem documento de identificação civil, tinha sido localizado, sozinho, nas dependências do metrô. 

A consternação é o primeiro sentimento. Como assim? Uma criança especial, sozinha e sem auxílio de seus responsáveis, exposta a todo e qualquer risco e perigo, lançada a própria sorte, em lugar como uma estação de metrô? 

Em seguida, o sentimento de empatia me invade: PODERIA SER MEU FILHO! Tento contato com a criança, mas não obtenho retorno.  

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Pensando no desespero dos pais e no sofrimento não externado da criança, imediatamente determino à equipe de investigação plantonista que entre em contato com o COPOM, ao que recebemos a resposta de NÃO existir registro telefônico do desaparecimento de pessoa com esta idade estimada, condições apresentadas e características físicas descritas.  

Sem pensar duas vezes, determino aos investigadores a colheita das digitais da criança, efetuando, assim, sua legitimação. Em um primeiro momento, os policiais apresentam certa recalcitrância à determinação devido ao fato deste procedimento ser adotado para se proceder à identificação criminal, apenas. Reafirmo a determinação justificando a legitimação como único meio hábil para identificar a criança naquele momento. Então, realizamos a legitimação em tom de brincadeira com a criança. Ela adorou! Mais uma vez a lembrança do meu filho vem à mente: “Ele iria adorar essa brincadeira!” 

Em seguida entro em contato com o IIRGD, explico a situação e solicito brevidade na pesquisa, a qual retorna positiva consignando o nome e número de RG da criança. Munido destes dados, imediatamente realizo as pesquisas policiais e, após breve e simples trabalho investigativo, consigo contato com os pais, que ao receberem a notícia da localização do filho, comparecem na distrital. 

 Ainda nervosos, porém aliviados e agradecidos, explicam que ele estava com o avô paterno, com idade um tanto quanto avançada, no interior de um shopping center e repentinamente saiu de sua esfera de vigilância.  

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Informo que a criança caminhou pelas ruas até a estação do metrô, local em que foi localizada pelos nobres agentes de segurança que o acolheram com muito carinho e o conduziram para esta congênere policial civil. Neste momento a mãe concedeu ao filho o abraço mais reconfortante que já presenciei. Era um abraço de salvação! 

Encontro-me findando meu primeiro terço na carreira de Delegado de Polícia. Nestes quase 10 anos posso afirmar que já vi quase tudo! Sem sombra de dúvidas esse foi o caso que mais me tocou, pois, aquele “grito” de desespero, ainda que silencioso, PODERIA SER DO MEU FILHO! Com os olhos marejados, jamais me esquecerei daquele olhar expressando gratidão lançado por aquela criança muito especial. 

Assim, ROGO aos pais ou responsáveis de crianças ou adultos portadores de necessidades especiais, ou bebês, ou crianças de tenra idade, ou qualquer pessoa sujeita a alguma forma de vulnerabilidade, SEMPRE que forem sair com seus incumbidos, para qualquer lugar, procurem deixar na posse deles, seja em bolso ou mochila ou qualquer outro artefato do gênero, a cópia da identificação civil e telefones para contato. O inesperado sempre pode acontecer! O imponderável também! Ainda neste cenário, SUPLICO também para que os pais ou responsáveis providenciem, o quanto antes, a elaboração do RG civil de seus filhos, o que possibilita a imediata identificação em casos similares ao narrado, além da efetiva prestação de socorro e, por conseguinte, o acalento ao coração dos desesperados. 

Felizmente este caso teve um final feliz. Coração em paz e orgulhoso de saber que minha profissão, apesar dos percalços e da conhecida desvalorização governamental, ainda me proporciona esses momentos de emoção ao auxiliar os mais necessitados, com toda humanidade necessária, nos momentos de maior aflição. 

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FÁBIO BOCCIA MOLINA 

Delegado de Polícia 

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